Alberto Fernández pede para Bolsonaro ficar tranquilo: “Não penso em fechar a economia”

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Candidato à Presidência da Argentina, Alberto Fernández disse em entrevista ao jornal argentino La Nación que não pretende fechar a economia. A resposta veio ao ser questionado sobre as tensões com o governo brasileiro e com o presidente Jair Bolsonaro.

“Para mim, o Mercosul é uma questão central. E o Brasil é nosso principal parceiro e continuará sendo. Se Bolsonaro pensa que eu vou fechar a economia e que, então, o Brasil vai sair do Mercosul, que fique tranquilo, porque não penso em fazer isso. É uma discussão burra”, afirmou Fernández.

O postulante também disse que não se opõe ao Mercosul firmar acordos comerciais com outros blocos –desde que os interesses nacionais estejam protegidos.

“Meu problema não é a abertura da economia. Meu  problema é que essa abertura prejudique os argentinos. Se ela abre preservando os argentinos, será bem-vinda”, completou.

A chapa de oposição, liderada por Alberto Fernández e que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, venceu com folga (47,6%) as primárias presidenciais realizadas em 11 de agosto. As eleições gerais estão marcadas para 27 de outubro. Um eventual 2º turno será em 24 de novembro e o novo governo assumirá em 10 de dezembro.

ECONOMIA ARGENTINA

Sobre a economia, Fernández disse que o governo deve renegociar com o FMI para conseguir adiar o vencimento da dívida com o Fundo.

“O governo assinou 1 acordo que seria impossível cumprir e não cumpriu de forma alguma. Não conseguiu atingir a inflação, o crescimento e as metas fiscais. O que Macri precisa fazer é se reconectar com o Fundo e explicar porquê ele não conseguiu fazer nada”, declarou.

Se chegar a presidência, o candidato de Cristina Kirchner pretende aplicar uma política de “cotização administrada” do dólar. Sobre as recentes medidas econômicas anunciadas por Macri, Fernández é crítico. “As medidas anunciadas por Macri não podem ser tomadas assim, sem falar com ninguém”, disse

COMENTÁRIOS DE BOLSONARO

No sábado (17.ago.2019), Bolsonaro disse que que pede a Deus para que a Argentina “não retroceda a liberdade”. Era uma nova referência à chapa de esquerda liderada por Alberto Fernandéz e Cristina Kirchner, que lidera as pesquisas de intenção de voto na região. Eles ganharam as primárias na 2ª feira (12.ago) por 15 pontos percentuais de vantagem de Mauricio Macri, que busca reeleição.

“Não tem honra maior do que ter uma missão cumprida. E a nossa missão é não deixar o Brasil se aproximar de políticas que não deram certo em nenhum lugar do mundo. Peçamos a Deus que neste momento a nossa querida Argentina, mais ao Sul, saiba como proceder através de seu povo para não retroceder a liberdade. Estamos prontos a dar a vida por ela”, afirmou.

COMPAROU COM A VENEZUELA

Neste domingo (18.ago), Bolsonaro voltou a fazer críticas. Citando o Foro de São Paulo, disse que a Argentina se aproxima cada vez mais da Venezuela.

“Na Argentina, agora o povo saca, em massa, seu dinheiro dos bancos. É a Argentina, pelo populismo, cada vez mais próxima da Venezuela”, escreveu em seu perfil no Twitter.

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